Como pode um quadro, um retábulo, uma música ou um espectáculo desenvolver o nosso conhecimento?



Admirar obras de arte é uma forma de compreender melhor o que os indivíduos produzem, e a realidade que narram. Segundo Goodman “Dom Quixote, tomado literalmente, não se aplica a ninguém, mas tomado figurativamente, aplica-se a muitos de nós”. Por isso, “ perguntar se uma pessoa é um Dom Quixote (quixotesca) ou um Dom Juan é uma questão tão genuína como perguntar se uma pessoa é paranóide ou esquizofrénica, é mais fácil de decidir”.
A arte opera de forma simbólica, não exacta e alegórica. Para melhor compreender as manifestações humanas, os historiadores e sociólogos preocupam-se pela arte de uma determinada época ou cultura.

Este blogue tem por objectivo dar a entender esta interacção entre a arte e o conhecimento, e de que forma as ostentações humanas repercutem-se ao longo dos anos e séculos.
O ponto de partida deste espaço, são os Séculos XVII e XVIII, nomeadamente pretende-se abordar a vida de uma corte, rodeada de riquezas, luxos, extravagâncias e exibições, e a repercussão estética-ideológica que esta deixou como herança nas gerações vindouras. Pretende-se assim analisar globalmente a antícope deixada por este movimento desde o seu apogeu até as réstias que se podem encontrar deste nos dias de hoje, tentando assim elaborar um paralelismo ideologicamente estético desde que surgiu o movimento social em si, até à nossa actualidade.

ACONTECIMENTO - Revolução Científica

Isaac Newton (1643-1727)



Isaac Newton nasceu em Londres, no ano de 1643, e viveu até o ano de 1727. Cientista, químico, físico, mecânico e matemático, trabalhou junto com Leibniz na elaboração do cálculo infinitesimal. Durante sua trajetória, ele descobriu várias leis da física, entre elas, a lei da gravidade.



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Vida e realizações



Este cientista inglês, que foi um dos principais precursores do Iluminismo, criou o binômio de Newton, e, fez ainda, outras descobertas importantes para a ciência. Quatro de suas principais descobertas foram realizadas em sua casa, isto ocorreu no ano de 1665, período em que a Universidade de Cambridge foi obrigada a fechar suas portas por causa da peste que se alastrava por toda a Europa. Na fazenda onde morava, o jovem e brilhante estudante realizou descobertas que mudaram o rumo da ciência: o teorema binomial, o cálculo, a lei da gravitação e a natureza das cores.
Dentre muitas de suas realizações escreveu e publicou obras que contribuíram significativamente com a matemática e com a física. Além disso, escreveu também sobre química, alquimia, cronologia e teologia.
Newton sempre esteve envolvido com questões filosóficas, religiosas e teológicas e também com a alquimia e suas obras mostravam claramente seu conhecimento a respeito destes assuntos. Devido a sua modéstia, não foi fácil convencê-lo a escrever o livro Principia, considerado uma das obras científicas mais importantes do mundo.
Newton tinha um temperamento tranqüilo e era uma pessoa bastante modesta. Ele se dedicava muito ao seu trabalho e muitas vezes deixava até de se alimentar e também de dormir por causa disso. Além de todas as descobertas que ele fez, acredita-se que ocorreram muitas outras que não foram anotadas.
Diante de todas as suas descobertas, que, sem sombra de dúvida, contribuíram e também ampliaram os horizontes da ciência, este cientista brilhante acreditava que ainda havia muito a se descobrir. E, em 1727, morreu após uma vida de grandes descobertas e realizações.








Galileu Galilei (1564-1642)



Galileu Galilei foi Físico, Matemático e astrónomo Italiano, descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Por pouco Galileo não seguiu a carreira artística. Um de seus primeiros mestres, d. Orazio Morandi, tentou estimulá-lo a partir da coincidência de datas com Michelângelo (que havia morrido três dias depois de seu nascimento). Seu pai queria que fosse médico, então desembarcou no porto de Pisa para seguir essa profissão. Mas era um péssimo aluno e só pensava em fazer experiências físicas (que, na época, era considerada uma ciência de sonhadores).



Aristóteles era o único que havia descoberto algo sobre a Física, ninguém o contestava, até surgir Galileu. Foi nessa época que descobriu como fazer a balança hidrostática, que originaria o relógio de pêndulo. A partir de um folheto construiu a primeira luneta astronômica em Veneza. Fez observações da Via Láctea a partir de 1610 que o levaram a adotar o sistema de Copérnico.

Pressionado pela Igreja, foi para Florença, aonde concluiu com seus estudos que o Centro Planetário era o Sol e não a Terra, essa girava ao redor dele como todos os planetas. Foi condenado pela inquisição e teve que negar tudo no tribunal. Colocou em discussão muitas ideias do filósofo grego Aristóteles, entre elas o fato de que os corpos pesados caem mais rápido que os leves, com a famosa história de que havia subido na torre de Pisa e lançado dois objectos do alto.

Essa história nunca foi confirmada, mas Galileu provou que objectos leves e pesados caem com a mesma velocidade. Ao sair do tribunal, disse uma frase célebre: "Epur si Muove!", traduzindo, " e com tudo ela se move ". Morreu cego e condenado pela igreja, longe do convívio público. 341 anos após a sua morte, em 1983, a mesma igreja, revendo o processo, decidiu pela sua absolvição.



Principais Realizações



A Luneta Astronómica, com a qual descobriu, entre outras coisas, as montanhas da Lua, os satélites de Júpiter, as manchas solares, e, principalmente, os planetas ainda não conhecidos.
A balança hidrostática
O compasso geométrico e militar
Foi o primeiro a contestar as ideias de Aristóteles
Descobriu que a massa não influi na velocidade da queda.


Texto Retirado:http://www.fortunecity.com/tatooine/servalan/272/galileu.htm


ACONTECIMENTO- Mística e Cerimoniais

A religião e o Cerimonial Religioso

Mística, rituais e práticas sociais
















Por: Prof. José Couto

LOCAL - Os Palcos

Durante o Barroco a encenação e o espectáculo eram pernanentes... e os palcos eram diversos.

A igreja- Placo de cerimónias religiosas e de veneração de figuras religiosas.

A academia- Palco de orações de sapiência e da edição de publicações científicas ou culturais.

A corte- Palco de recepções, cerimónias, cortejos e festas faustosas.

A festa- Placo de representações, das tragédias, comédias, autos sacramentais, concertos e ópera.

ACONTECIMENTO - Tratado de Utrecht (1713)

Tratado de Utrecht

O tratado de Utrecht, foi o documento que, em 1713, na cidade de Utrecht, nos Paises Baixos, pôs fim à guerra da sucessão espanhola (1701-1714), na qual entraram em conflito interesses de várias potências europeias.

O trono da Espanha era pretendido por Filipe d'Anjou, neto do rei francês Luís XIV, e por Carlos, da casa da Áustria. As negociações se abriram em 29 de Janeiro de 1712, mas só em 11 de Abril de 1713 foram assinados os principais acordos, dos quaiso último é de 1714.

Esta disputa sucedeu-se, quando Carlos II de Espanha (1665-1700) morreu sem deixar descendência. Duas semanas antes de morrer, Carlos II tinha elaborado um segundo testamento, no qual declarava Filipe de Anjou (neto de Luís XIV) seu pleno sucessor.

O rei Luís XIV, representando o seu neto, aceitou a herança que, lhe possibilitava dominar os Países Baixos Espanhóis, para alémde lhe abrir a condição de colocar todo o império espanhol sob sua autoridade. Esta sucessão foi de imediato contrariada pelo príncipe eleitor da Baviera, José Fernando, que se encontrava em igualdade de circunstâncias com o neto d Luís XIV na linha de sucessão. Pelo número de países envolvidos e pela extensão das frentes de batalha em terra e no mar, esta guerra foi considerada a primeira revolução mundial da Idade Moderna.

As discussões, inicialmente, privilegiou os exércitos franceses, mas, após 1704, começaram a assinalar derrotas que se aglomeraram significativamente depois de 1708-09. A partir de 1711, a diplomacia francesa desencadeou tentativas para a negociação da paz. O acordo final ocorreu na cidade de Utreque, na Holanda, em 1713. O tratado, foi posteriormente, rematado pelos tratados de Rastatt (1714) e de Baden (1714), que estenderam as cláusulas do primeiro a todo o Sacro Império e pelo Tratado da Barreira (1715) que, regularizou as relações entre a Holanda e os países Baixos Meridionais.

Com estes acordos, a herança dos Habsburgos espanhóis foi repartida. E com os Tratados de Utreque a geografia política da Europa ficou alterada, pondo limite ao domínio exercido pela França.






Alegoria da Paz de Utrecht

ESPAÇO- Europa da Corte

A Europa da Corte. O modelo de Versalhes

A corte era considerada o lugar onde se reuniam um círculo de pessoas que cercavam um grande senhor (príncipe, bispo, aristocrata…), nesse circulo de convívio, se reuniam a família, a criadagem, os homens de armas e outros que para ele trabalhavam e, ainda, outros grupos sociais como embaixadores, diplomatas, artistas e literatos, todos denominados cortesãos.

A grande corte régia, surgiu associada às tendências absolutistas do Antigo Regime, feita à semelhança da do rei Luís XIV, que a partir do seu palácio estabeleceu as vassalagens sociais da aristocracia através de um código de comportamento e de etiqueta, orientando-a para a obediência e culto à pessoa do rei, através de cerimónias e rituais próprios.
Através da troca de serviços e de subserviência, o rei concedia a esta sociedade pensões, cargos, doações e favores de vária ordem.
Assim, os nobres cortesãos faziam tudo para se tornarem prezados, disputando favores ou um simples olhar, pois todos ambicionavam um lugar o mais próximo possível do rei.

A corte, símbolo do poder real, exibiu luxo e pompa, um ambiente requintado de aparência sedutora que nutria uma nobreza acrítica, fútil e sem profissão, que ocupada por uma vertigem de diversões: festas e bailes galantes, sessões de leitura, representações teatrais com o ballet de cour, cerimónias e jogos esplendorosos, paradas, caçadas e coloridos torneios.
Avassalada pelas regras de etiqueta, a nobreza subsistia sentindo-se membro da casa real mas, vingando-se numa libertinagem de relações, escândalos e intrigas que contribuíam, muitas vezes, para a sua ascensão e/ou queda. Os homens pretensiosos e empoados, vestidos de sedas e ricamente adornados de laços, fivelas e diamantes, calçados com sapatos de tacão alto e acompanhados pelas suas belas damas, mais excêntricas ainda, cobertas de pó-de-arroz e perfumes, povoavam a corte e eram copiados pelos demais.

O palácio de Versalhes, apreciada como a cidade dos ricos, foi o cenário físico da obra de Luís XIV. Universalmente admirado albergou, e 1744, 10 000 habitantes.
Embora construído dentro do espírito barroco (fachadas, jardins, espelhos de água, pavilhões, terraços, cenários teatrais), é igualmente uma fortificação do classicismo pela regularidade, harmonia e simetria das suas formas.

TEMPO - Guerra dos Trinta Anos ao final do reinado de Luís XIV

A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) iniciou-se na região da Boémia, no Sacro Império Romano Germânico, em 1618, envolvendo luteranos e católicos. Os séculos XVI e XVII na Europa foram marcados por "guerras de religião", que na verdade traduzem as diversas disputas políticas e os interesses económicos existentes.

A Europa do século XVII encontrava-se numa nova configuração onde várias nações tinham o interesse em ampliar seus poderes na Europa , através de conquistas de novos mercados e territórios. Contudo, o despertar da concorrência entre as várias monarquias centralizadas, acentes entre a Idade Média e a Idade Moderna, provocou vários conflitos e guerras. Foi nesse contexto que observamos a ocorrência da Guerra dos Trinta Anos, desenvolvida entre 1618 e 1648.














Morte de Gustavo Adolfo na Batalha de Lutzen



Cronologia dos Principais Eventos


1618 a 1620: Foi derrotada uma revolta na Boêmia contra a regência da Áustria. Ainda assim, alguns príncipes protestantes continuaram a sua luta contra a Áustria;

1625 a 1627: A Dinamarca entra na guerra ao lado dos protestantes;
1630: O rei Gustavo Adolfo da Suécia intervém ao lado dos protestantes, invadindo o Norte da Alemanha;

1631: O comandante das forças católicas, Tilly, ataca Magdeburgo;

1632: Tilly foi derrotado em Breitenfeld e no rio Lech, tendo sido morto. O general alemão Wallenstein foi derrotado na batalha de Lützen, onde Gustavo Adolfo morreu;

1634: Quando os suecos foram derrotados em Nördlingen, Richelieu fez com que a França entrasse na guerra com o objetivo de infligir várias derrotas à Espanha, aliada da Áustria. Wallenstein é assassinado.

1648: A Paz de Vestefália deu a Alsácia-Lorena à França e algumas províncias bálticas à Suécia, tendo a autoridade imperial na Alemanha ficado a ser apenas nominal. Os exércitos mercenários de Wallenstein, Tilly e Mansfeld devastaram a Alemanha.

BIOGRAFIA - Luís XIV (1638-1715)

· Actuação política, económica e social


Desde que assumiu o governo, Luís XIV procurou fazer da figura do rei uma questão incontestável, tendo para tal limitado os poderes da aristocracia, suprimido as atribuições do Parlamento e transferido a corte para Versalhes. Este palácio tornou-se símbolo do Estado absoluto: aí a vida da corte passou a girar em torno da figura do monarca, concebida como uma peça teatral, enquanto a vida do rei se converteu num mito e qualquer aparição pública sua numa cerimónia.
Luís XIV tomou medidas para reforçar a solidez do Estado e a coesão nacional, impondo a unidade da fé católica e proibindo qualquer outro credo. A economia foi colocada ao serviço do rei e dos seus gastos pessoais, num processo que o levou a deter um poder absoluto e a confundir a sua pessoa com o Estado (“O Estado sou eu”).
Ao procurar fazer da França uma potência hegemónica no contexto europeu, Luís XIV conduziu-a a guerras contínuas contra a Espanha, a Holanda, o Império Austríaco e os príncipes alemães, que delapidaram os cofres do Estado e deixaram o país arruinado.

· Actuação no domínio cultural

Luís XIV desenvolveu uma política de protecção às artes, às letras e às ciências, fomentando a produção artística e a investigação, o que levou à criação das Academias.
Ainda no domínio cultural, patrocinou os “Ballets de cour” – bailados que ensinavam as técnicas de dança e também as regras da etiqueta social, e, depois, as “Comédies-ballet” de Molière – espectáculos que se traduziam numa autêntica fusão das artes (teatro, música, dança).
Para este monarca a música e as artes foram armas políticas tão poderosas como os seus navios de guerra, tendo levado longe a associação da sua imagem às mais efémeras das artes – a música e a dança. Estas não eram apenas um divertimento cortesão ou edificação do espírito, mas a ritualização da política, representação de uma imagem e legitimação simbólica do poder. Daí que essas artes, a par do teatro e da ópera, fossem uma presença constante no dia-a-dia da sua corte.

Texto: Prof. José Couto


Luís XIV


Livros e Filmes


Filme: Maria Antonietta

Filme:Le Roi Dance

Filme: O poder da arte

Filme: A Rapariga com Brinco de Pérola

Livro: Burguês Fidalgo/Sganarelo Autor: Molière