A Europa da Corte. O modelo de Versalhes
A corte era considerada o lugar onde se reuniam um círculo de pessoas que cercavam um grande senhor (príncipe, bispo, aristocrata…), nesse circulo de convívio, se reuniam a família, a criadagem, os homens de armas e outros que para ele trabalhavam e, ainda, outros grupos sociais como embaixadores, diplomatas, artistas e literatos, todos denominados cortesãos.
A grande corte régia, surgiu associada às tendências absolutistas do Antigo Regime, feita à semelhança da do rei Luís XIV, que a partir do seu palácio estabeleceu as vassalagens sociais da aristocracia através de um código de comportamento e de etiqueta, orientando-a para a obediência e culto à pessoa do rei, através de cerimónias e rituais próprios.
Através da troca de serviços e de subserviência, o rei concedia a esta sociedade pensões, cargos, doações e favores de vária ordem.
Assim, os nobres cortesãos faziam tudo para se tornarem prezados, disputando favores ou um simples olhar, pois todos ambicionavam um lugar o mais próximo possível do rei.
A corte, símbolo do poder real, exibiu luxo e pompa, um ambiente requintado de aparência sedutora que nutria uma nobreza acrítica, fútil e sem profissão, que ocupada por uma vertigem de diversões: festas e bailes galantes, sessões de leitura, representações teatrais com o ballet de cour, cerimónias e jogos esplendorosos, paradas, caçadas e coloridos torneios.
Avassalada pelas regras de etiqueta, a nobreza subsistia sentindo-se membro da casa real mas, vingando-se numa libertinagem de relações, escândalos e intrigas que contribuíam, muitas vezes, para a sua ascensão e/ou queda. Os homens pretensiosos e empoados, vestidos de sedas e ricamente adornados de laços, fivelas e diamantes, calçados com sapatos de tacão alto e acompanhados pelas suas belas damas, mais excêntricas ainda, cobertas de pó-de-arroz e perfumes, povoavam a corte e eram copiados pelos demais.
O palácio de Versalhes, apreciada como a cidade dos ricos, foi o cenário físico da obra de Luís XIV. Universalmente admirado albergou, e 1744, 10 000 habitantes.
Embora construído dentro do espírito barroco (fachadas, jardins, espelhos de água, pavilhões, terraços, cenários teatrais), é igualmente uma fortificação do classicismo pela regularidade, harmonia e simetria das suas formas.